​​COMO FUNCIONA A TÉCNICA DOS ABACATES?

Baseada em conceitos da terapia cognitiva, a técnica ‘Pense saudável e sinta a diferença’ utiliza a analogia com as figuras dos abacates cinza e verde. A técnica tem o objetivo de que as pessoas que a utilizem possam transformar pensamentos, emoções e comportamentos não saudáveis em pensamentos, emoções e comportamentos saudáveis, com consequente melhora da qualidade de vida.

Sentir medo de fazer uma apresentação oral ou uma prova; sentir tristeza e chorar; assistir a um episódio de uma série na televisão ao invés de praticar atividade física; comer duas fatias de torta de chocolate no primeiro dia da dieta; deixar uma tarefa para depois; sentir raiva e dar uma resposta grosseira, entre outras queixas, pode acontecer com qualquer pessoa. Em alguns momentos, é difícil dizer o que é considerado "normal ou não". Tudo depende da frequencia, da intensidade e de quanto essas coisas podem estar prejudicando a sua vida e a sua relação com outras pessoas.

Quando você está em sofrimento (abacate cinza), os seus pensamentos (cognições) e os seus comportamentos estão distorcidos pelo desequilíbrio da emoção. Você enxerga as situações através de uma “lente distorcida” ou uma “lente de aumento”. A lente de aumento pode ser uma lupa ou um telescópio, tornando tudo maior e mais difícil. A análise dos pensamentos não saudáveis e a construção de pensamentos saudáveis facilitam que você passe mais tempo no “abacate verde".

“Transitar” do abacate verde para o cinza e vice-versa é o reflexo da saúde mental. Para ter  qualidade de vida, você não deve ter como objetivo  “manter-se” constantemente no abacate verde, tendo em vista que diversas situações de sua vida e da sua rotina desequilibram sua emoção, o que é perfeitamente natural. O desafio é pensar saudável e desembarcar da emoçao em desequilíbrio, retornando o abacate verde. Fique atento para a quantidade de tempo que você passa no abacate cinza e no abacate verde – a escolha é sua.

Na figura do abacate, os três níveis de pensamento estudados na terapia cognitiva são naturalmente representados:




























1. Casca da fruta: “de forma aparentemente superficial” (pensamento automático), cobre os níveis de pensamento mais profundos. O pensamento automático ocorre em diversas situações diárias, surge espontaneamente e não se relaciona com reflexão ou deliberação. É como se fosse um resumo do que está acontecendo. Sendo o nível de pensamento mais superficial, é observado o desequilíbrio pela emoção de forma leve;


2. Polpa da fruta: representa as crenças condicionais, nível de cognição ativado quando a pessoa faz previsões sobre as consequências de seu comportamento ou se comporta de acordo com regras, obrigações e pressupostos (com frases "Se…, então..."). Os experimentos comportamentais (experimentar comportamentos mais saudáveis e funcionais assim como experimentar ingredientes e formas diferentes nas vitaminas de abacate) servem para testar as crenças condicionais mais saudáveis que foram reestruturadas. A reestruturação da crença condicional - massa da fruta - representa a possibilidade de fazer as coisas de uma maneira diferente. Cada pessoa tem a sua receita para fazer a vitamina mais saborosa. Os experimentos comportamentais também podem ser feitos de várias maneiras, “com receitas variadas”.


Algumas crenças condicionais são saudáveis tais como “Se eu não desistir do meu projeto, então poderei ter êxito”. No entanto, outras podem ser prejudiciais como, por exemplo, “Se eu não puder fazer perfeito, então é melhor desistir”. Em geral, quando um indivíduo mantém um comportamento que provoca dificuldades, ele está orientado por uma crença condicional. Quanto mais o paciente identificar crenças condicionais que mantêm determinados comportamentos, melhores condições ele terá para tentar comportamentos alternativos através dos experimentos comportamentais. Sendo o nível de pensamento intermediárío, é observado o desequilíbrio pela emoção de forma moderada.

3. Caroço da fruta: representa as crenças nucleares (frases com os verbos "ser, ter e estar"), “como se fosse o DNA, com pensamentos absolutose rígidos” e que não são questionados quando você não está bem.


As crenças nucleares não saudáveis (Eu sou irresponsável ou Eu estou condenado a ser um fracassado) são reestruturadas em crenças nucleares saudáveis (Eu sou zeloso; as pessoas têm dificuldades assim como eu tenho). Sendo o nível de pensamento mais profundo, é observado o desequilíbrio pela emoção de forma intensa, com maior prejuízo.

Para completar a analogia, o “broto” entre a crença nuclear e a crença condicional está bem ilustrado. Então, a figura do abacate torna clara a ideia de que os seus pensamentos estão diretamente ligados. Algumas pessoas questionam se a figura poderia ser de um ovo, por exemplo, que também ilustra bem a distinção entre os três níveis de pensamento. Como a crença nuclear é o nível de pensamento mais rígido, o caroço do abacate representa melhor do que a gema do ovo que, mesmo muito cozida, mantém-se macia.


Por ser mais rígida, a emoção fica mais desequilibrada e você tem mais dificuldade de lidar com as situações quando a crença nuclear não saudável é acionada.

Os pensamentos, os comportamentos e as emoções passam a ser “dominados” por você, com maior probabilidade de melhor adesão e resultado através da utilização de técnicas da terapia cognitiva. Torna-se mais fácil identificar qual o abacate que prevalece no momento, em qual abacate você funciona naquele momento e qual a melhor intervenção a ser utilizada para a melhora da emoção e do comportamento.

O trabalho não é destruir o “abacate cinza”, dos pensamentos, emoções e comportamentos não saudáveis, pois isso é impossível. O objetivo é construir crenças condicionais mais saudáveis e funcionais, e assim possibilitar que estas suposições brotem naturalmente de crenças nucleares mais saudáveis, ou renasçam com pensamentos automáticos que naturalmente encobrem os demais pensamentos (“abacate verde”). Com isso, os três níveis de pensamento podem ser reestruturados.

A determinação de um objetivo pessoal, intransferível e específico facilita o processo de melhora. O objetivo deve ser algo que você possa alcançar enão deve ser algo que você gostaria que outra pessoa fizesse.  Os objetivos específicos podem ser: “aprender a lidar com as emoções em desequilíbrio, cuidar da alimentação e do sono, praticar atividade física conforme o planejado, falar de forma assertiva, entre outros.”